quarta-feira, 9 de maio de 2018

Nova espécie de réptil extinto é descoberta no Rio Grande do Sul

Pagosvenator candelariensis como deveria ter sido em vida (Créditos: Renata Cunha/UFRGS).

 Por meio de uma doação anônima ao Museu Municipal Aristides Carlos Rodrigues, em Candelária, RS, um grupo de pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) foi capaz de descrever uma nova espécie de réptil extinto do período triássico.


 O animal em questão foi chamado de Pagosvenator candelariensis, um arcossauro (grupo de répteis que daria origem aos dinossauros e crocodilianos atuais) de 3 metros de comprimento, carnívoro e provavelmente quadrúpede. "A nova espécie descrita não tem relação com as aves e os dinossauros, ele está na linhagem que deu origem aos crocodilos, embora ainda seja muito distante destes. Mais especificamente, o grupo em que o Pagosvenator se insere é denominado erpetusuchidae, sobre o qual, apesar conhecido e estudado há muito tempo (desde o século XIX), não se possui muitas informações sobre a anatomia e as relações de parentesco entre seus componentes, já que é representado apenas por espécimes incompletos" explicou Marco França, professor de paleontologia da Univasf e coautor do estudo. Fósseis desse grupo de arcossauros já foram encontrados na Europa, América do Norte, África e Argentina, mas esta é a primeira descoberta de erpetusuchidae no Brasil.

 Ele foi descrito através do fóssil do crânio e da mandíbula que estavam quase completos, e que supostamente teriam sido encontrados no município de Candelária, a 190 km de Porto Alegre.  "Supostamente", porque, como o fóssil foi doado anonimamente, é difícil dizer qual o local exato em que ele foi descoberto. Porém, a análise de elementos químicos presentes no fóssil, as características do animal e a datação do fóssil (237 milhões de anos atrás) suportam firmemente essa teoria. "Cada fóssil tem como se tivesse uma impressão digital, falando metaforicamente, que identifica a localidade a partir da rocha de onde ele veio. Se você consegue analisar isso, consegue estabelecer  uma conexão, identificar o local. Nós analisamos a taxa de terras raras encontradas e é possível identificar de onde veio" falou Marcel Lacerda, líder da pesquisa.

 De acordo com os pesquisadores, a descoberta ajudará a descrever como era o Rio Grande do Sul e sua biodiversidade durante o período triássico, e irá ajudar a entender os processos evolutivos que levaram a grande diversidade de vida no registro fóssil desta região.


Fóssil doado de Pagosvenator candelariensis e o resultado
de sua tomografia computadorizada (Créditos: UFRGS). 



Fontes:
G1

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