terça-feira, 3 de abril de 2018

Espécie de lagarto extinto tinha quatro "olhos"

Fóssil do Saniwa ensidens ao lado do fóssil de um peixe. (Créditos: Anne Petersen/Flickr)


 Em 1871, um fóssil bem preservado de um lagarto foi encontrado no estado do Wyoming, nos EUA. O animal, nomeado de Saniwa ensidens, havia sido fossilizado por inteiro e pertencia a um gênero extinto de lagarto monitor que viveu durante o Eoceno, entre 49 e 47 milhões de anos atrás. Porém, usando novas tecnologias de varredura com raios X e de tomografia computadorizada, foi possível identificar uma característica única desde animal: a presença de quatro "olhos".


 Nesta segunda-feira (02/04/2018), um grupo de pesquisadores do Instituto de Pesquisa Senckenberg na Alemanha, liderados por Krister Smith, publicou a descoberta na revista Current Biology. A equipe fez a descoberta enquanto buscava a localização do "terceiro olho" do S. ensidens. O "terceiro olho", ou "olho pineal", é um órgão comum em diversas espécies de lagartos, lampréias, salamandras, peixes e tartarugas, cuja função é semelhante a de um olho comum, porém mais simples. Este órgão, localizado em uma pequena abertura no topo da cabeça desses animais, é sensível a luminosidade e ajuda esses animais a se locomoverem, regular seu relógio biológico e a detectarem mudanças na luminosidade do ambiente, podendo assim se dirigir para locais iluminados para se aquecerem ao Sol, no caso dos lagartos.

 Mas o que a equipe descobriu foi que o S. ensidens não tinha só um terceiro olho, como também tinha um quarto! Eles notaram isso ao observarem a presença de dois orifícios no topo da cabeça do lagarto que se conectavam diretamente ao seu cérebro. Este é o único vertebrado com mandíbula conhecido por ter dois olhos adicionais. Os únicos outros animais a terem esse características são as lampréias sem mandíbula. Esses olhos devem ter o ajudado a regular seu relógio biológico e deveriam ter servido como uma espécie de "bússola", para ajudar o lagarto a se orientar enquanto vagava pela América do Norte pré-histórica.

Os dois "olhos" adicionais estavam localizados no topo da cabeça
do S. ensidens, e deveriam servir para regular seu relógio biológico
e ajuda-lo a se orientar enquanto caminhava. (Créditos: Senckenberg
Gessellschaft für Naturforschung / Andreas Lachmann / Digimorph.org)



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