domingo, 8 de abril de 2018

Análise - Os Cavaleiros dos Dinossauros

Título: Os Cavaleiros dos Dinossauros.
Autor: Victor Milán.
Editora: Darkside Books.
Número de Páginas: 478.
Sinopse: O Paraíso é um mundo extenso, diversificado, muitas vezes cruel, onde cavaleiros blindados conduzem legiões de tricerátopos treinados para a guerra. Karyl Bogomirsky é um cavaleiro que optou por reunir aqueles que buscam uma saída para a jornada de guerra e loucura. Mas o Império de Nuevaropa anunciou uma cruzada religiosa contra as pessoas que desejam viver em paz. Todos devem ser convertidos ou destruídos. As coisas tomam  um rumo surpreendente quando os temidos Anjos Cinzas, antiquadas armas dos deuses que criaram o Paraíso, surgem em cena após quase um milênio. Todos achavam que se tratava de fábula, mas eles são muito reais. E vieram para livrar o mundo do pecado... incluindo grande parte da humanidade.


 Dinossauros montados por cavaleiros medievais em um mundo fantástico: se há combinação mais épica que essa, ainda não a conheci. E foi justamente essa temática que logo me atraiu para as obras do autor Victor Milán. E olha, Milán consegue transformar essa premissa em uma fantasia épica sem que ela caía na infantilidade. Os Cavaleiros de Dinossauros é uma fantasia visceral, recheada com muitas conspirações políticas, batalhas sangrentas e personagens carismáticos.


 Este livro continua a saga iniciada em Os Senhores dos Dinossauros (que já falamos aqui), e sua história se situa imediatamente após os eventos do primeiro livro. [SPOILER de Os Senhores dos Dinossauros] Após a vitória de Rob Korrigan e Karyl Bogomirsky na defesa da cidade de Providence, ambos devem reunir novas forças de resistência para combater os lordes leais ao Império que ainda ameaçam a cidade. Para isso, precisarão de novas armas, dinossauros e novos aliados, incluindo a princesa exilada do Império: Melodia Delgao. Mas, ao mesmo tempo, o Imperador promove uma cruzada religiosa contra os hereges e pecadores, enquanto avança em direção ao exército de Providence. Mal sabem eles, porém, que uma ameaça muito maior na forma de um místico Anjo Cinza, uma criatura saída das lendas e pesadelos, ameaça não só a existência da resistência e do império, mas também a sobrevivência de toda a humanidade no mundo de Paraíso [Fim do SPOILER].

 Para começar essa resenha, sou obrigado a falar da beleza desse livro. Sério, a Darkside Books está de parabéns pelo cuidado que tiveram com esse livro, desde a capa dura (uma das mais bonitas que já vi) até as artes internas. Fisicamente é um livro muito bonito, mas não fica apenas nas aparências. Os Cavaleiros de Dinossauros é muito mais que sua capa.


 Quando comecei a ler, confesso que fiquei meio parado no início do livro. Talvez tenha sido por causa do ritmo lento dos primeiros capítulos ou pelo fato de ter lido o primeiro livro há tanto tempo que acabei me esquecendo de detalhes dos eventos anteriores, e já que essa é uma continuação direta eles se tornam essenciais. Independente disso, o livro consegue te prender aos eventos antes de chegar na metade, apresentando situações em que você anseia por ler ainda mais e encontrar uma solução junto com os personagens. Acho que esses são os grandes motivos pelo qual o leitor imerge no mundo de Victor Milán: seus personagens carismáticos e sua maneira de escrever, que é bastante descritiva, mas na medida perfeita para você construir mentalmente as cenas e situações sem ficar entediado pela quantidade de informação. Esses com certeza são trunfos de Os Cavaleiros dos Dinossauros que, acredito eu, deveria ser muito mais presente no resto da literatura. A imersão é a chave para qualquer obra. Não importa o quanto seu mundo seja vasto ou sua história seja complexa, se você não conseguir cativar o leitor com seus personagens ou faze-los ficarem imersos no seu mundo de forma natural e convincente, de nada isso vai adiantar.

 Além do mais, a história é bem real. Quer dizer, tirando toda a magia e os dinossauros convivendo com humanos, é uma história mais realista que a maioria das fantasias. Fazendo uma comparação, feita até pelo próprio G. R. R. Martin, Os Cavaleiros dos Dinossauros é uma história muito mais centrada nas intrigas políticas e nas relações entre os personagens de um mundo medieval do que na fantasia em si, assim como em As Crônicas de Gelo e Fogo. Em ambas essas histórias, a magia e a fantasia (e/ou dinossauros) são apenas um tempero extra, que não é extremamente necessário, mas que deixa esse "prato" milhares de vezes mais saboroso. Porém, da metade do livro em diante, somos apresentados a uma situação mais emergencial e fantástica que tudo o que Victor Milán havia construído anteriormente, o que não deixa a segunda metade do livro pior do que o que veio antes. Muito pelo contrário! Essa quebra de expectativa e a adição de um elemento sobrenatural forte torna o livro ainda mais surpreendente e imersivo, pois acontece de forma tão natural que você não vê problema nenhum. E digo mais: espero muito que a conclusão dessa trilogia continue com essa pegada.

 Quanto a evolução da história, Victor Milán consegue expandir ainda mais seu universo de cavaleiros e dinossauros, mostrando não só novos povos, personagens e histórias, como também apresentando mais dinossauro e, melhor ainda, mostrando eles com mais frequência do que no primeiro livro. Além disso, há uma evolução quanto ao clima do livro. Há muito mais violência e muito mais cenas de sexo explícito. O livro em si assume um clima mais sombrio e sério que o anterior (não que o primeiro livro já não tivesse seus toques sanguinolentos e libidinosos bem fortes). Ou seja, mesmo que tenha cavaleiros e dinossauros, esse livro não é nem de longe uma obra para crianças.

 Outro trunfo de Victor Milán é com relação à descrição das batalhas. Os detalhes viscerais e o clima de tensão que ele consegue criar faz com que você fique sempre na expectativa para ver como essa luta vai se desenrolar no parágrafo seguinte. A batalha final, inclusive, foi algo emocionante de se ler, e eu não tirei meus olhos dela até acabar. Além disso, essas batalhas conseguiram nos mostrar que Karyl Bogomirsky é, sem sombra de dúvidas, um dos maiores guerreiros da ficção.

Conclusão:


 Os Cavaleiros dos Dinossauros é uma continuação que supera seu antecessor, além de ser uma obra empolgante, envolvente, imersiva e, definitivamente, épica! A trilogia de cavaleiros e dinossauros de Victor Milán com certeza é uma das melhores sagas de fantasia medieval que li até hoje. Ela está super recomendada para os amantes desse gênero e igualmente para os amantes dinossauros, que procuram uma obra digna dos grandes seres que governaram o mundo há milhões de anos atrás. Ah, e já estou no aguardo do terceiro livro, Darkside!

 Boa leitura!

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