sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Os Males do Tráfico de Fósseis


O tráfico de fósseis representa uma perda de tamanho
inimaginável para a ciência. ( Imagem Rolling Stone )
  Nenhum tipo de tráfico é benigno, seja ele de drogas, armas, pessoas ou animais. Mas o tráfico de fósseis é um caso em especial, pois seus danos são permanentes para a ciência.


 O tráfico de fósseis é considerado crime no Brasil e em outras partes do mundo, mas isso não impede que quadrilhas façam milhares de dólares por ano traficando-os para fora de seus locais de origem.  Mas, para onde vão esses fósseis? Na maioria esmagadora das vezes eles são comprados por colecionadores ao redor no mundo.

 Mas às vezes eles são vendidos clandestinamente para laboratórios no exterior. Quer um exemplo? Um caso recente, e que ainda está em investigação, vem do Brasil. Aqui nas terras tupiniquins, mais precisamente na Bacia do Araripe, foi encontrada um fóssil de uma cobra ancestral com patas de 120 milhões de anos, que pode ser o elo perdido entre os lagartos e as cobras. Mas apesar de ter sido encontrado aqui, este fóssil não estava no Brasil. Estava na Alemanha. Os cientistas alemães não negam que o fóssil veio daqui, mas quando questionados como ele saiu daqui, eles omitiram a resposta. De acordo com o Departamento Nacional de Produção Mineral (órgão que autoriza a saída de fósseis do Brasil), esse exemplar não passou por eles em nenhum momento de 2006 até agora (21/08/2015). Mesmo que tenha saído antes (o que é improvável) a legislação brasileira protege os achados paleontológicos desde 1942. O estudo do fóssil da "cobra com pernas" foi publicada pelos cientistas europeus na internacionalmente conhecida revista Science.

Fóssil de "cobra com patas" foi encontrado no Brasil mas levado ilegalmente
para a Alemanha. ( Imagem G1 )

 Engana-se quem pensa que os traficantes de fósseis são apenas pessoas comuns que querem fazer dinheiro. Alguns fósseis são vendidos ilegalmente por alguns próprios paleontólogos para não levantar suspeitas. O Brasil é um caso em especial. Centenas de esqueletos (muitos deles bem preservados) são retirados dos nossos maiores sítios paleontológicos, principalmente da Bacia do Araripe no Nordeste, e levados para fora do país. Não é raro encontrar itens brasileiros em museus da Europa. Alguns são doações do Brasil para lá, mas outros tem uma origem um tanto suspeita.

(Edição 05/01/2018) Mas também há os colecionadores: pessoas com muito dinheiro e gosto por coisas exóticas, e que são a grande maioria dos compradores de fósseis. Não é difícil encontrar colecionadores de fósseis no exterior, fósseis esses que são comprados no mercado negro na mão de caçadores de fósseis ilegais. Esses caçadores buscam pelos fósseis mais raros e mais bonitos, esteticamente falando, sem se importar com o valor da informação contidas neles. Às vezes, até mesmo destruindo ossos por considerarem mais difíceis de vender e juntando fósseis de animais diferentes para formar uma nova e abominável criatura, tudo isso em nome da "beleza exótica" e do dinheiro.

 Em 2015, um fóssil único foi parar na empresa Eldonia do negociante de fósseis Fraçois Escuillié. Ele identificou esses fósseis como sendo de uma nova espécie de dinossauro, e o entregou para o Real Instituto Belga de Ciências Naturais, em Bruxelas. O animal foi nomeado Halszkaraptor escuilliei, e se tratava de um novo dinossauro da família dos raptores. Também descobriram que, por anos, esse fóssil havia viajado o mundo, tendo sido retirado ilegalmente da Formação Djadochta, no sul da Mongólia, e vendido para diversos colecionadores desde o Japão até a Inglaterra. O fóssil do halzkaraptor é único. Não encontramos outro igual até hoje! Imagine se esse fóssil tivesse sido perdido? Se tivéssemos perdido essa informação para sempre? Jamais saberíamos que esse magnífico animal teria existido! Inclusive, deixo um vídeo do excelente Canal do Pirula falando sobre esse dinossauro e sobre esse caso (Fim da Edição):




Que mal essa prática pode trazer?


 Simples: fósseis são restos de animais e plantas pré-históricas nem um pouco fáceis de se encontrar. São necessários anos de pesquisas e trabalho pesado de paleontólogos dedicados para desenterrá-los. Algumas espécies são conhecidas apenas por um único fóssil. Sendo assim, perder um fóssil pode significar perder o registro de uma espécie inteira para sempre! Todo item científico, em especial fósseis, são itens insubstituíveis. Não há como encontrar outros iguais. Eles nos ajudam a entender o passado de nosso mundo e a evolução das espécies. Perder fósseis é perder conhecimento, perder informação. E isso não é ruim apenas para a ciência, mas também para toda a humanidade.

Fóssil raríssimo de pterossauro quase foi contrabandeado para fora do país, mas
felizmente foi recuperado de uma quadrilha por investigadores. ( Imagem O Dia Brasil )
 Então, se você encontrar alguém vendendo fósseis, denuncie para as autoridades. Ah, e caso você tenha algum fóssil em casa, pense se não vale a pena entregá-lo para um museu. Lá ele poderá ser melhor estudado e poderá ficar à vista de todos.


Fontes e imagens:
.G1
.Fantástico; Rede Globo.

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